sexta-feira, 17 de outubro de 2008

31 de dezembro

por lucasbusto,

Ele não está mais em casa, então todos podemos ir juntos para nos separar, no meio da multidão e das garrafas já viradas e esquecidas na areia.
Os fogos estouram. Os champanhes também.
Minha caminhada segue em busca de qualquer camarada, encontro e desencontro um gole, aqui outro lá.
Encontro grupos, e parto.
O álcool já toma conta, e os pés encontram a poeira. Meus olhos a encontram, desenhando com os pés na areia fazendo desenhos circulares que a conectam com o céu, e nem a faz pensar no outro lado do planeta, o pensamento segue ao alto e não atravessa o oceano.
Ela gira e seus olhos que não encontram os meus, tento uma palavra ou outra, mas a atenção que chega a mim é apenas um sorriso que me deixa desconcertado, espero estático.
E claro, não perco tanto tempo, saio. Mais um gole.
Enquanto me sirvo outra se serve e olha a tentar me servir.
- Oi.
O telefone toca.
- Tchau.
Sigo, e encontro a asiática sem quase nada na cabeça, sento no jardim, as pessoas lutam ao amanhecer ao som de música eletrônica, correm. Correm, e sol nasce. Um beijo, um gole, e sigo de volta.
O vestido branco que girava desenhando a areia não está mais lá. Normal, as 09h30min não deveria estar, algumas latas, e o pé descalço no asfalto.
Todos em casa menos ele. Não vai mais voltar. O café amargo, e o sonho com os cabelos cacheados iniciam um novo ano. 2008.

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